O que você acha que é importante para uma boa apresentação? Um conteúdo atrativo, slides bem feitos, bons apresentadores… Todos esses são pontos fortes que ajudam uma apresentação a ser boa, mas nesse post eu gostaria de focar somente em um desses tópicos: o apresentador, ou seja, aquele que transmite a mensagem. Talvez esse seja ainda um dos pontos mais importantes e principais para que a sua apresentação consiga, no final das contas, prender a atenção dos ouvintes.

Começo já desmentindo algo que muitos pensam quando o assunto é esse: não existe nenhuma dádiva repassada somente para alguns seres especiais da natureza, para ser um bom apresentador só basta o treino. Por mais que isso possa não parecer verdade, as pessoas ficam realmente muito boas em passar informações e se comunicarem em cima do palco quando já foram submetidas a essa situação por várias vezes. Posso falar isso até por casos que acompanhei no PET-MA, algumas pessoas já entraram no grupo apresentando relativamente mal e ao longo do tempo foram melhorando cada vez mais e ponto de se sentirem bem à vontade para abrirem um evento ou apresentarem para um grande público.

Para ajudar um pouco fiz esse post, nele eu pretendo comprimir bem rapidamente alguns pontos fortes que devem ser considerados quando se pensa em transmitir informações de uma forma clara. O mais interessante é que isso pode servir para várias situações, além de apresentações, que você enfrente no seu dia-a-dia: reuniões, discussões, conversas, etc.

Antes de tudo gostaria de começar com algo que é muito importante: não existem regras rígidas para seguir, pontuarei algumas coisas aqui, mas use aquilo em que você fique mais confortável. A arte de ser um bom apresentador não está em gesticular muito ou qualquer outra coisa, está em parecer natural, ou seja, uma pessoa que não costuma nunca gesticular, quando tenta fazer isso precisa pensar muito sobre cada palavra e cada movimento da mão. Ela acaba no final ou fazendo movimentos estranhos ou se enrolando na fala, já que sua cabeça está tentando processar tudo aquilo ao mesmo tempo.

O que eu fiz aqui para facilitar a linha de raciocínio do post foi separar o “bom apresentador” em algumas áreas principais do corpo quando tratamos da questão de ‘repassar mensagens’, que seriam: mãos, face e voz. É claro que existem mais variáveis nesse jogo, porém usando um pouco do princípio de Pareto, esses são os 20% mais importantes para um bom apresentador.

As mãos:

A linguagem não-verbal através do corpo é extremamente importante para conseguir repassar informações de uma forma clara e fácil para o ouvinte, e, uma das principais formas de se fazer isso é através das mãos. Uma pesquisa já demonstrou que só os gestos podem aumentar o valor da sua mensagem em até 60%! Dito isso, vamos a algumas boas práticas:

– Listando pontos:

Sempre que você for listar alguns pontos, pontuar algum número de ideias ou até mesmo falar algum número, é interessante tentar demonstrar isso com as mãos. Isso é importante porque ajuda a plateia a seguir um raciocínio e a realmente “ver” o que você fala, facilitando o entendimento.

– Demonstrando ordem de grandeza:

Uma prática interessante também é utilizar as mãos para demonstrar a grandeza de algo. Por exemplo, se você dissesse: “uma grande parte dos apresentadores não consegue usar a gesticulação”, para ficar realmente enfatizado que é uma grande parte você poderia demonstrar isso com a mão no momento da fala. Da mesma forma que a prática de listar, isso ajuda a plateia a “ver” a mensagem.

– Gesticulando no lugar certo:

Uma prática em geral bem conhecida dos apresentadores é o chamado “strike zone”. Esse termo se refere a uma área do corpo, um quadrado imaginário na região da barriga, onde é mais natural de gesticularmos. Isso não quer dizer que você deve ficar nessa área o tempo todo, o princípio da prática é fazer com que o ouvinte possa acompanhar os seus gestos sem muito esforço, então o mais interessante é manter a gesticulação ali, porém se for o caso de sair não há problema nenhum.

Fonte: www.scienceofpeople.com/hand-gestures/

Existem várias outras dicas interessantes para esse tópico, aqui eu dei algumas que eu considero bem relevantes para uma boa gesticulação e que, na verdade, eu costumo usar com frequência em qualquer situação que envolva comunicação. Por fim, enfatizo de novo que a arte da gesticulação é parecer natural!

A face:

Outro fator importante da comunicação é a nossa face. Como seres humanos são, na maioria das vezes, emotivos e empáticos, demonstrar expressões enquanto você repassa uma informação pode dar mais sinceridade no que você diz.  Obviamente que não precisamos tornar a apresentação um teatro, mas as expressões bem utilizadas carregam uma mensagem que a plateia consegue facilmente absorver: tristeza, graça, surpresa, etc.

Voz:

A voz é algo que eu considero um dos fatores-chave para conseguir prender a atenção do ouvinte no que é apresentado. Falar com um volume, velocidade e entonação corretos podem fazer com que, por mais que aquilo que você fale não seja tão interessante assim, a plateia fique interessada no que você tem a dizer porque soa como algo importante. Falando bem rápido sobre a voz:

– Volume:

Quando ele é adequado faz você parecer mais confiante no que diz. Além disso, algo que também pode ser feito é reduzir o volume da voz, quase que soando como um segredo, para despertar naquele momento mais curiosidade da plateia. Obviamente não podemos reduzir muito e por um período longo.

– Velocidade:

A velocidade sempre se mantendo nos extremos – muito lenta ou muito rápida –  é terrível para quem está assistindo: ou não conseguimos entender o que é dito ou é como aquela aula chata que te dá sono.
Na verdade não se trata de dificuldade de audição, e sim de tempo de raciocínio. O nosso cérebro consegue reconhecer um som depois de 0,05 segundos que ele atingiu o nosso sistema auditivo, ou seja, conseguimos escutar sons muito rapidamente, porém o que leva mais tempo é a compreensão da ideia por traz do som. Sendo assim é sempre bom avaliar a sua apresentação e checar se ela envolve uma ideia mais complexa e que poderá tomar mais “tempo de processamento” das pessoas.

– Entonações:

A entonação é um campo aberto que tem algumas finalidades diferentes, seja para transmitir emoções ou guiar os ouvintes no caminho que você quer que eles sigam. São alguns tipos diferentes de entonação, impossíveis de serem representados aqui somente escrevendo. De forma geral, use a entonação para frisar aquelas palavras que são realmente importantes, isso facilita a plateia a se guiar no raciocínio que você quer passar. Por exemplo, se eu quisesse dizer que a leitura desse post é válida, eu poderia dizer a seguinte frase da seguinte maneira:

“Se você quiser descobrir alguns pontos importantes de um apresentador, essa leitura de 10 minutos pode ajudar”

Concluindo…

No geral, nesse post eu falei algumas coisas que para alguns podem parecer óbvias, porém o grande problema que ainda existe na maioria das apresentações é que por mais que isso tudo seja por vezes realmente óbvio, as pessoas não lembram de usar e acabam confiando muitas vezes só nas palavras do seu discurso para prender a atenção da plateia. Na maioria das vezes o fator importante não é o que você diz, e sim como você diz.

Somente com o treino você conseguirá se desenvolver como apresentador. Como eu disse algumas vezes, você tem que parecer natural, ou seja, aplique isso no seu dia-a-dia e torne algo que não precise pensar muito para fazer. Uma última dica interessante que pode ser útil para você é, ao montar o seu discurso de apresentação (muitas pessoas fazem isso para melhorar a organização das ideias), frise os pontos onde você deve expressar algum sentimento, entonar alguma palavra ou fazer alguma parada, isso te ajudará a treinar tudo ao mesmo tempo.