As instituições acadêmicas e o mercado empresarial  apresentam, desde os seus primórdios, objetivos contraditórios. Se, por um lado, as Universidades estão voltadas para o ensino, a pesquisa e à sociedade com o fomento de conhecimento em ações de longo prazo, do outro, prevalece uma visão de curto prazo, preocupação com o atendimento às necessidades de seus clientes e, consequentemente, a geração de lucro.

Entretanto, por volta da década de 90, com o advento da Terceira Onda (a Primeira e a Segunda referem-se à revolução agrícola e industrial respectivamente), iniciou-se uma discussão a respeito da importância do conhecimento, como um novo fator de produção, além dos já conhecidos capital, terra, trabalho e matéria-prima(TOFFLER, 1999).

A partir de então, buscam-se mecanismos para possibilitar a fomentação do conhecimento e de tecnologia inovadora às necessidades das indústrias. Um desses mecanismos diz respeito aos acordos de relacionamento empresa-universidade para o desenvolvimento de novos produtos. Dessa forma, seguindo modelos internacionais, a relação entre universidades brasileiras e empresas está atingindo, cada vez mais, níveis mais elevados de maturidade e tem potencial para desenvolver ambas as instituições em um relacionamento mútuo, resultando na geração de novos conhecimento e desenvolvimento econômico para a sociedade.  

Trazendo uma análise quantitativa para comprovar essa aproximação, pode-se apresentar as universidades brasileiras que mais recebem dinheiro da iniciativa privada. No caso da Universidade de São Paulo (USP), segundo Sérgio Queiroz, coordenador de pesquisa para inovação da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Cerca de 5% do orçamento destinado à pesquisa vem de empresas. Já a Universidade Estadual Paulista (Unesp) são 5,5%, e, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), 6%. Esse patamar de investimento não está muito longe da média das universidades americanas e de países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Isso, desconsiderando o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, MIT, a universidades mais visada por empresas no mundo, contando com 13% do seu orçamento destinado à pesquisa proveniente do meio empresarial.

Ganha-ganha

A cooperação com empresas mostra-se vantajosa dentro do ecossistema universitário pois, para os pesquisadores, essa é uma forma de financiar o desenvolvimento de pesquisas, colocar seus alunos em contato com problemas de alta relevância social e ganhar visibilidade. Além disso, a aproximação possibilita um retorno dessas atividades para a comunidade o que vai de encontro ao maior objetivo de uma universidade pública – investir em pessoas que tragam retorno à sociedade em todas as frentes econômicas e sociais.

Já no ecossistema empresarial, a parceria se mostra como uma grande fonte potencial de conhecimento e de inovação para a implementação de novos produtos e serviços. Isso se dá, principalmente, pela aproximação do empresário com o “Estado da Arte” do desenvolvimento, que pode estar diretamente ligado à proposta de valor da empresa, além da prospecção de talentos para a instituição.

Assim, partindo do pressuposto de que há interesse das duas instituições para promover o relacionamento, as principais razões para empresas e universidades se envolverem em acordos de cooperação, envolvem:

Dificuldades

A primeira dificuldade encontrada para a aproximação, mas que diminui a cada dia,  é o preconceito por parte dos pesquisadores e dos servidores públicos empregados pelas universidades. Esse comportamento tem influência direta na falta de agilidade dos serviços, promovendo um engessamento na execução das atividades e nos resultados esperados.

A burocracia e a falta de mecanismos legais, porém, ainda são grandes entraves. Há amarras legais impedindo que esse relacionamento ocorra de forma fluida, acompanhando a maneira com a qual o mercado cresce e muda. Existem, hoje, algumas tentativas de destravar essa burocracia, como o Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação, publicado em 8 de fevereiro de 2018, o qual se propõe a garantir direitos para facilitar as parcerias público-privadas.

“Com o Marco Legal está totalmente assegurado que o professor poderá assinar um contrato com uma empresa”, explica a ex-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader.

Futuro

Além das empresas e governo, muitas instituições universitárias já estão caminhando para estreitar esses laços. O PET-MA, por exemplo, pode ser considerado um pioneiro nesse segmento uma vez que, recentemente, iniciou uma parceria para realização de projetos com a maior incubadora da América Latina, a CELTA, sediada no ecossistema empreendedor de Florianópolis.

Devido à versatilidade e ao dinamismo que as Startups apresentam, o modelo de negócio do PET-MA encaixa-se muito bem nessa parceria, possibilitando a entrega de projetos e serviços de qualidade de dentro da universidade para a sociedade. Dessa forma, a aproximação já está rendendo bons frutos e tem potencial para se tornar cada vez mais sólida.  

Para conhecer os  projetos já realizados pelo PET-MA, clique aqui.

 

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