Escrito por Gabriel Hartmann de Azeredo

Entenda de uma vez por todas o que é e o que não é estratégia!


Empresas de sucesso não precisam necessariamente de pessoas mais dedicadas, ousadas ou com mais sorte que seus concorrentes. Elas precisam de uma abordagem definida e clara para estratégia. Estratégia e planejamento estratégico são conceitos muito comentados mas que poucas vezes são utilizados com seus devidos significados, se tornando mais crenças místicas. Por isso, antes de falarmos sobre Planejamento Estratégico, é preciso deixar claro o significado de estratégia.

Segundo Michael Porter “A posição estratégica de uma empresa está contida em um conjunto de atividades personalizadas. Estratégia competitiva é sobre ser diferente e significa escolher deliberadamente um conjunto diferente de atividades para entregar valor único“. Resumindo a fala de Porter, estratégia é o ato de fazer escolhas difíceis sobre o que fazer e o que não fazer. Logo, planejamento estratégico é o processo contínuo de tomada de decisão e da definição estratégica da empresa, através de uma abordagem clara e definida.

Dito isso, ficam claras algumas maneiras ineficientes de abordarmos estratégia:

  1. Definir estratégia como uma a visão da empresa: apesar da visão ser um dos elementos da estratégia ela não é o suficiente. Não há escolhas específicas nem um guia a ser seguido que levará a esse objetivo.
  2. Definir estratégia como um plano: também é apenas um elemento da estratégia. Ter um plano não significa que as ações realizadas vão gerar alguma vantagem competitiva.
  3. Negar que estratégia de longo e médio prazo seja possível: apenas reagir ao ambiente deixa as empresas em desvantagem se comparadas a empresas mais estratégicas.
  4. Definir estratégia como a otimização do status quo: otimizar o que é feito aumenta a eficiência e gera algum valor, mas ela pode estar sendo feita nas atividades erradas. Otimização tem seu lugar em toda empresa, mas não é na estratégia.
  5. Definir estratégia como a perseguição das melhores práticas: estratégia não é fazer benchmarkings e utilizar as mesmas práticas de forma mais eficaz. Isso é apenas receita para mediocridade.

Lembre-se que manter as escolhas em aberto é algo natural de querermos, mas isso nos limita em fazer o que realmente importa. Escolhas importantes te libertam para focar nas coisas que importam e o que importa é vencer, não simplesmente jogar. Então como podemos de fato fazer um planejamento estratégico? Há um modelo padronizado para seguir? Como você irá em descobrir em seguida não há uma resposta absoluta para essas questões, mas há formas de focar suas análises em questões importantes, reduzindo suas chances de errar. Isso pode ser feito através de um conjunto de escolhas, que são as respostas das seguintes cinco perguntas:

  1. Qual é a sua ambição vencedora?
  2. Onde você vai jogar?
  3. Como você vai vencer?
  4. Quais competências devem estar disponíveis?
  5. Quais sistemas de gestão são necessários?

Observando esse modelo algumas coisas se tornam claras e a primeira delas é que não há uma única resposta para o que deve ser feito, você deve descobrir isso analisando o cenário da sua indústria e o seu ambiente interno. De modo geral, não há respostas absolutas ou coisas certas e nada dura para sempre. Ter uma estrutura analítica e um processo de avaliação da estratégia pode ajudar a organizar o pensamento e melhorar as análises, mas não há garantia de bons resultados. No fim, criar uma estratégia não é chegar na perfeição, é reduzir as chances de erro.

Apesar de não existir uma estratégia perfeita, existem alguns sinais de que a empresa possui uma estratégia preocupante:

  1. A estratégia do faz-tudo: falhar em fazer escolhas e tornar tudo uma prioridade. Lembre-se que estratégia é um conjunto de escolhas.
  2. A estratégia Dom Quixote: atacar castelos fortificados ou enfrentar primeiro o concorrente mais forte, de igual para igual. Lembre-se que onde jogar é uma escolha. Selecione um lugar onde você pode ter alguma chance de vencer.
  3. A estratégia Waterloo: começar guerras em várias frentes contra diferentes concorrentes, ao mesmo tempo. Nenhuma empresa pode fazer tudo igualmente bem. Se tentar fazer isso, você fará tudo fracamente.
  4. A estratégia “tudo para todos”: tentar conquistar todos os consumidores, canais, ou categorias simultaneamente. Lembre-se que, para criar valor real, você precisa escolher atender alguns clientes muito bem e não se preocupar com os demais.
  5. A estratégia “sonhos que nunca se tornam realidade”: desenvolver aspirações e declarações de missão de alto nível que nunca se convertem em competências essenciais para os sistemas de gestão e escolhas de onde jogar e como vencer. Apenas ter aspirações não é uma estratégia. É preciso ter respostas para as cinco perguntas.
  6. A estratégia “programa do mês”: estabelecer estratégias genéricas do setor, em que todos os consorrentes tentam conquistar os mesmos clientes, regiões e segmentos da mesma forma. A base da estratégia é ter uma cascata de escolhas e sistema de atividades de suporte distintivos. Quanto mais parecidas suas escolhas forem em relação aos seus concorrentes, menor as chances de você vencer.

Mesmo que sua empresa não apresente nenhum dos sinais acima e, pelo contrário, seja distintiva, com clientes fiéis, inovadora e vista como um alvo difícil de ser atacado na indústria, não pode se dar ao luxo de parar e se contentar. É preciso sempre melhorar pois não há estratégia perfeita que dure para sempre. Por isso que, idealmente, estratégia deve ser vista como um processo constante ao invés do resultado de dois dias de imersão. Permitindo adaptar as opções existentes antes do resultados comerciais e financeiros começarem a cair, pois eles sempre serão indicadores atrasados da estratégia. E, por fim, sempre jogue para vencer!

Referências:

[1] PORTER, Michael. Competitive strategy: techniques for analyzing industries and competitors. Nova York: Simon & Schuster, 1980.

[2] LAFLEY, A. G. Jogar para vencer: como a estratégia realmente funciona / A. G. Lafley; Roger L. Martin; tradução de Edson Furmankiewicz. – 1. ed. – Rio de Janeiro : Alta Books, 2018.

[3] http://www.freepik.com

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